— Texto Publicado no blog do autor —
Por Rogerio Neiva
O objetivo do presente texto consiste na apresentação de algumas idéias e conceitos relevantes para os estudos e realização de provas de concursos públicos e exames, relacionados ao fundamental e estratégico papel exercido pela memória. Trata-se de compreender e trabalhar a sua lógica associativa. Assim, além da apresentação da idéia central, a intenção do texto consiste na provocação à construção de caminhos que possam agregar eficiência e colaborar com resultados nos estudos empreendidos.
Para a compreensão da presente idéia, uma primeira noção fundamental corresponde à premissa de que a memória consiste numa função cognitiva primária, envolvendo a capacidade de armazenamento e evocação de informações. Vale lembrar que temos funções cognitivas primárias, de caráter mais básico e necessárias às funções cognitivas secundárias, as quais são tidas por mais elaboradas e correspondem à aprendizagem e à linguagem. Neste sentido, a memória consiste num componente importante para a aprendizagem. Porém, são funções cognitivas distintas. Daí porque aprender não significa memorizar e vise-versa.
Do ponto de vista neurofisiológico, memorizar uma informação significa construir determinado padrão de conexões neurais, o que depende da atuação de neurônios e neurotransmissores (IZQUIERDO, Iván, Memória. Porto Alegre: Artmed, 2002, p. 16/17). Portanto, a formação de memórias corresponde a determinada forma de comunicação entre neurônios. E desta noção decorre a idéia da lógica associativa.
Ou seja, quando evocamos uma informação já memorizada ou quando temos contato com uma nova informação relacionada à outra já memorizada, aquele padrão anterior de conexão entre neurônios é provocado. Um exemplo básico e elementar: imagine que você recentemente foi mordido por um cachorro, o que teria causado muita dor e algum trauma; ao ver outro cachorro em momento e contexto distinto, terá alguma sensação não muito agradável, podendo corresponder inclusive ao medo ou pânico, mesmo que este outro cachorro não ofereça perigo. O que ocorreu? Aquele padrão de conexão formado na experiência da mordida, ou seja, aquela informação memorizada, foi evocada diante do contato com outra informação semelhante, enquanto provocação à evocação (o novo cachorro).
Outro exemplo básico seria ao estudar determinado conceito ou regra sobre licitações, no âmbito do Direito Administrativo, tendo contato com o princípio da impessoalidade (Direito Constitucional) e, assim sendo, reativar o padrão de conexão decorrente do registro do caput art. 37 da Constituição Federal.
E como podemos trabalhar esta idéia na preparação para concursos públicos? Bem, a primeira intenção é que você possa construir estratégias de aprendizagem a partir da presente compreensão. E neste sentido, não deixe de manifestar as suas sugestões e idéias em forma de comentário ao final do texto.
Mas uma primeira sugestão seria de não perder a oportunidade de resgatar e associar informações já armazenadas ao avançar nos estudos, inclusive envolvendo matérias distintas. Um exemplo de uma estratégia que adoto em sala de aula consiste em, ao abordar o Direito Coletivo do Trabalho, na parte de contribuições devidas às entidades sindicais, tratando especificamente da contribuição sindical stritu sensu, procuro rever as espécies tributárias (Direito Tributário), inclusive como condição para a compreensão da natureza jurídica da contribuição sindical, e demonstrando a impropriedade do conceito de “imposto sindical”.
Outra idéia seria quanto à realização de provas. Conforme proposto no texto sobre Estratégia de Realização de Provas, se após resolver todas as questões que conta com precisão e algum nível de certeza, deixando de lado aquelas que não dispõe intelectualmente da informação, pode ser eficiente fazer uma rápida classificação temática (destas questões separadas) e tentar resolver tais questões pendentes por bloco de temas. Outra possibilidade seria repassar as questões resolvidas envolvendo o mesmo tema daquelas questões pendentes.
Naturalmente que isto precisa ser avaliado conforme as condições da prova, principalmente em termos de tempo. Porém, em tese, conforme a lógica da memória associativa, se aquela informação que precisamos evocar já foi estudada em algum momento – e não conseguimos evocá-la, o contato com outras informações associadas pode ajudar a provocar o resgate daquele determinado padrão de conexão neurológica que precisamos resgatar.
Independente destas ponderações e sugestões, seguramente você pode construir outras estratégias com base na lógica associativa da memória, tanto para os estudos, quanto para a realização das provas.
O fundamental, principalmente para quem vem se mobilizando nos estudos para o êxito em concursos públicos e exames, consiste na compreensão das nossas habilidades e funcionalidades cognitivas, de modo a otimizar e buscar eficiência dos nossos esforços, voltados à conquista dos almejados resultados!
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